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Arquivo da Categoria: é experimentando que se vive.

Dificuldade necessária

Sempre achei que ser “bom” era o suficiente. Na minha cabeça era aquele tipo de pensamento: sigo os princípios da sociedade, respeito as leis e isso faz de mim correta. Ponto final. Impossível pontuar-se dessa forma, afinal de contas como todo mundo, vírgulas compõem uma linha vasta de defeitos. Do meu ponto de vista, em mim um desses adjetivos sempre se destacou: o rancor (leia não como vingativo, mas como incapaz de perdoar).

Quando aceitei Jesus na minha vida, não tive maiores problemas em abrir mão de certas coisas que muitos encontram dificuldade. Porém, naquele momento, iniciei uma guerra interna comigo mesma: a de aceitar que vida reta só se faz sem remoer aquela coisa terrível que é a mágoa alheia. Aceitar, que não prejudicar ninguém e estar com o coração magoado nem de longe me faria uma “boa” pessoa.

Até agora já venci várias batalhas. Mas confesso que entregar as coisas ruins que os outros fazem nas mãos de Deus e descansar de consciência leve ainda é uma das maiores dificuldades que eu encontro na minha vida. Glórias a Deus que Ele tem misericórdia de mim e se empenha a me ensinar mais essa lição.

Semana passada tive duas grandes provas do quão o Pai se preocupa em curar nossas falhas para que possamos adentrar seu Reino quando a hora chegar.

Tudo começou na minha escala com as crianças da igreja (já falei sobre essa parte anteriormente). Começamos falando sobre priorizar a vida com Deus, mas o Espírito Santo nos direcionou para outro assunto. O perdão.

Tremi quando senti que teria que ensinar crianças a importância de perdoar, clamei baixinho que o Espírito de Deus me conduzisse e que as palavras proferidas fossem através dEle, pois sem Ele eu não seria digna de continuar aquela aula. (aliás, sem a Sua presença não acredito que sejamos dignos de nada).

Comecei então a contar uma história que não aconteceu comigo, mas que eu havia presenciado, fato que contei creio que não faça diferença em esboçar aqui visto que ele resume a importância da humilde e de estimular o processo de perdão, mesmo que nós sejamos o lado lesado.

Pensei que o dever estava cumprido. Arrumei a fila das crianças e descemos até o culto para que elas se juntassem a seus pais. Qual não é minha surpresa ao perceber que o tema da pregação era exatamente essa: perdão.

Muitas vezes acabamos vendo a porta de nossas bênçãos se fechar porque nosso coração também está fechado. E o que fecha nosso coração? Entre tantas coisas aquele rancor corrosivo que só a mágoa pode causar. É um grande erro pensar que o perdão tem que ter inicio no coração de quem errou. Estamos errando igualmente ao pensar assim.

Liberar o perdão é a coisa mais difícil para mim em minha trajetória cristã. Porém, ultimamente muitas pregações e vasos têm sido usados para me avisar que uma vez que eu me liberto, o problema não se torna mais meu. Se o Pai que é o mais supremo dos seres nos perdoou sem hesitar, o que resta a nós humanos? Somente Deus é capaz de julgar. Libere seu perdão e entregue a situação nas mãos dEle, não há advogado melhor.

Síndrome do Pinóquio

Fui uma criança extremamente mentirosa. Matava parente pra justificar falta em prova, ficava doente para não ter que ir pra aula. E fazia isso na maior naturalidade. Com o tempo, minha percepção de mundo e de princípios em relação a isso foi mudando.

Senti na pele o que é ser desmascarada. Tinha 11 anos, falei uma bobagenzinha qualquer e duas amigas me colocaram na berlinda. Foi o pior dia da minha vida. Fiquei roxa de vergonha e tive que respirar fundo e soltar: “é, eu tava mentindo”.

Jurei para mim mesma que nunca mais passaria por aquele desconforto. Demorou até que eu removesse todos os resíduos que eu possuía. Tive que assumir outros tantos erros, mas esses, foram de forma mais sutil.

Aprendi que mentira tem perna curta e que papai do céu castiga quem mente tarde. Mas ao menos aprendi direitinho.

Tudo, menos covardes

“Eu não vou chorar. Apenas acabarei com essa agonia que levo comigo nos últimos dias” – foi o que eu pensei enquanto o elevador se deslocava para o primeiro andar do prédio. Respirei fundo, mas, mais uma vez perdi o fôlego quando vi ele sentado ali. A decisão estava tomada. E eu sentia, que pelo tom de voz dele um pouco mais cedo que era um consenso.

Só pra variar o sol havia se escondido. Em todo o tempo em que estivemos juntos, sempre foi assim. Disse para ele para sairmos do meu local de trabalho. Fomos ao parque.

Sentamos e conversamos. Em um tom pacífico diferente dos últimos dias. Eu sabia desde a primeira vez que o vi que nele habitava a aura mais bonita que eu já conheci. Uma das únicas capaz de filtrar qualquer ambiente. Aquele sentimento era importante demais para ser perder meio a brigas, divergências e discussões. Ele também pensava assim.

Nos acertamos. Deixamos os planos todos de lado e decidimos trilhar rumos diferentes. Podem nos acusar de tudo, menos de covardes, porque nós tentamos. Não era pra ser. Talvez fosse a pessoa e não a hora. Ou talvez não.

Seguimos andando pelo caminho que tantas vezes já percorremos. Não combinava não estar de mãos dadas, por isso segurei meu livro e ele o celular. Era desconcertante se perder entre as palavras e deixar escapar um chamado de amor.

Estávamos inegavelmente mais leves, mas isso de nada escondia que cada qual tinha mais medo de perder o outro. Infelizmente para se ganhar lembranças felizes é preciso perder outras coisas.

Só depois de entrar no ônibus que eu percebi que ele não ia ir comigo. E só então eu percebi o preço que pagamos para sermos livres. Foi tão escuro chegar ao trem sozinha. Sentei no último vagão, liguei o mp4 que ele me deu e que eu me esqueci de devolver. E foi então que as músicas começaram a tocar e me tocar. Não deu pra segurar as lágrimas que caiam mudas e lentas até molhar o meu vestido amarelo.

Amarelo como a estrela do norte que hoje parou de brilhar porque não tem mais seu anjo mais velho pra lhe orientar.

Podem nos acusar de tudo, menos de covardes. Nós não só tentamos como tivemos coragem de admitir que não deu certo. Porém, não é porque se está certo de uma decisão que ela não vá deixar de doer.

Fim de semana

Ah o verão. A maioria das pessoas passa o ano clamando pela chegada do verão. Eu não sou diferente. Fazia quase um ano que não pisava no litoral. Na sexta-feira, porém, dei fim a tal jejum. Fugi da capital sem olhar para trás.

Como são impagáveis esses momentos. Desci na rodoviária do litoral e fiz questão de não pegar nenhuma outra condução até em casa. Fui andando, por mais de 15 minutos, eu e uma mochila nas costas acompanhada pelo pôr-do-sol. Sentir a brisa. Ai que delícia.

Após um bom prato de comida de vó e bons capítulos do meu atual livro de cabeceira e um bom momento de reflexão dormi feito um anjo. Ou melhor, feito uma pedra.

Os dois dias que tive para descansar foram ímpares. Todas as previsões de chuva para o final de semana foram quebradas. Eu tomei todo o sol que poderia ter pegado. Até o mar que aqui no Rio Grande do Sul tem a má fama de ser frio e sujo ajudou.

Tinha tirado o tempo do final de semana para pensar. Foi a última coisa que fiz. Reduzi-me a aproveitar o momento. Sentir o frescor da brisa, o sal do mar, o calor do sol. Sentir o quanto as coisas simples são importantes e fundamentais para te renovar.

Laços

Amanhã fará uma semana que eu pensei que faria mais um daqueles programas no qual tu te resume a ser anexo.

E o que é um programa “anexo”? É aquele que a gente é convidado ou deve comparecer por ser acompanhante do real convidado.

Pois bem, meu namorado era convidado de uma missa de formatura. Eu era o anexo. Saí do trabalho, corri pra casa dele, vestido, sapato de salto, maquiagem, cabelo preso e a abóbora se transforma.

Lá fomos nós. Pensei que seria mais um evento. Sem mais. Chego na UNISINOS e eis que ao longo do caminho para a capela, passamos em frente ao anfiteatro. Muitas pessoas arrumadas em torno de tal.

“já ta rolando formatura por aqui?”

Me perguntou meu namorado. Eu respondi negativamente. As formaturas da “Uni” só acontecem em janeiro.

O Fábio passou reto. Eu, como tenho o espírito de jornalista (além de ser estudante de tal), entrei. Eu estava com trajes adequados ninguém me perceberia como estranha.

Qual não é a minha surpresa ao encontrar conhecidos ali. Isso aguçou minha curiosidade. Lembrei em uma fração de segundos que haviam me falado que a formatura de 3º ano do meu antigo colégio. “Não, não deve ser…”

Era.

Que felicidade. Na verdade não pelos formandos. Não me recordava de grande parte deles, eram “os pirralhos do primeiro ano” quando eu me formei. Era assustador ver o quanto haviam evoluído, visto que o mesmo também se aplicaria a mim.

Estava ali, “adulta” vendo eles. Lembro que sentei na fileira frente para o público. Não era possível nem conversar senão sairia no DVD. Lembro do meu vestido preto que na verdade era corpete e saia visto que eu tiraria o longo na hora da festa.

Lembro da musica de turma.

“Não é fácil não,
Com os heróis não vai ter moleza não,
Essa gincana vai
ser pura emoção,
E a gente vai descendo até o chão”
(em ritmo de
“Tranqüilão”)

Lembro da minha musica de formatura

“If God is a DJ, life is a dance floor”

E, tudo isso me fez ficar ansiosa. Eu queria muito abraçar aos meus professores. Consegui ver os mais importantes.

Prof Milton (vulgo Mosquito) que foi nosso conselheiro do 3º ano e que foi mais que professor de biologia. Foi pai de ensinamentos pra vida.

E professora Ieda. Professora de Português. Não era a preferida da maioria como o Mosquito sempre foi. Agora para mim teve seu grau de importância. Foi ela que me encheu de notas baixas por saber que eu era capaz de mais. Hoje estou explorando meu dom e transformando-o em profissão graças a o esforço dela.

Ao abraçar o “Sor” desabei. Foi uma chuva de lembranças. O Fábio veio pra casa sem entender o porque eu chorava tanto. Não compreendia o que é chorar de felicidade. Talvez de fora seja difícil mesmo. Só quem estabelece laços entende.

Quando se perde

Esse fato que irei contar hoje é extremamente passado. Deveria ter comentado lá no início de outubro. Porém, fui me distanciando, escrevendo outras coisas. Aconteceu que tal relato acabou ficando pra trás.

Então vamos logo ao ponto. O Brasil é grande. O Rio Grande do Sul nem tanto. Por isso, como sempre morei na Grande Porto Alegre, tive um acesso fácil a lugares como a Serra gaúcha, por exemplo.

Tem tanta gente que “baba” pela cidade de Gramado. Nunca achei nada de mais. Alias, lembro-me que não foi uma nem duas as vezes que achei um saco meu pai me acordar no domingo com um chimarrão de baixo do braço me chamando para aproveitar o sol em um passeio diferente.

E lá nós íamos para Gramado. Ta, é bonito, é legal. Mas eu queria ficar dormindo. Custava entender isso?

A cena muda. E eu estou morando no outro lado do País no ano de 2005. O ápice da minha felicidade foi ir passar as férias no sul. Lembro bem da minha emoção ao ir a Gramado.

Que cidade! Quão linda era! Como eu nunca tinha visto antes. Ia muito além de comprar chocolates! As ruas tinham uma harmonia ímpar. Passei a noite inteira deslumbrada com o que via.

E tudo isso por quê? Porque pela primeira vez eu não tinha aquele passeio quando eu queria. É a velha questão da valorização que muito só aprendem no amor. Porém, se tentássemos nos corrigir antes de precisar perder quem se gosta, provavelmente nos pouparíamos de muito sofrimento.

Gramado encheu de beleza também o meu coração. E não só isso, me ensinou uma grande lição. Que sigo até hoje.

(todo) DIA(é dia) DE SER CRIANÇA

Hoje o sol tava de bem conosco. Passeávamos de mãos dadas seguindo a infinidade irreal do rio. Levados pelas batidas dos nossos corações. Unidos pelo encanto que sentimos toda vez que sabemos que vamos nos encontrar, ainda que, para um casal de namorados isso seja comum.

Temos uma alma espelhada uma na outra. Que se moldou recíproca mesmo antes de se conhecer. E para quem nos conhece uma característica berra aos olhos: A ALEGRIA.

Voltando para o passeio. Nossa vontade inicial era uma oficina circense. Um ótimo programa de domingo. As opções de aprendizagem? Malabares, perna de pau, palhaço e acrobacias. Era preciso escolher o que fazer. Bastou que nos olhássemos (como sempre)

QUEREMOS FAZER OFICINA DE PALHAÇO

A mulher nos olhou. Deu uma risadinha. Preencheu nossa inscrição. Deu outra risadinha. Não seu agüentou e nos disse:


“A de perna de pau é a mais legal pra idade de vocês. Na de palhaço
geralmente vem mais crianças”

Sentiu com nosso olhar fulminante duplo (nossa arma secreta..ops!) que tinha falado besteira. Ainda tentou reparar:


“Mas podem vir sem problemas”

Obviamente se fosse da nossa vontade nos iríamos sim. E se soa como criancice para os normais. Dane-se somos loucos, únicos e felizes.

Não vou me prolongar. Só queria utilizar tal fato para dizer a todos que NUNCA deixem a criança interna morrer. Ser gente grande em tempo integral é extremamente chato.

E não esqueça que não podemos impedir que nosso corpo envelheça. Mas não temos a mesma falta de controle com nossas mentes.

“Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz.”

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!

Concluo que..

Ontem em uma festa estilo anos 80 tive duas belas conclusões.

A primeira é que ainda sou bem jovem visto que podia olhar pras pessoas e dizer:

“bah essa não é do meu tempo”

Exceto quando tocou xuxa.

A segunda é que estou ficando velha já que minhas pernas choram de dor no pós balada de quinta feira.

E só…

Eu tenho uma mania: a de me apaixonar. Por tudo que a vida me oferece. Vivo procurando motivos para que o encanto nunca termine. Sim, eu preciso, tenho necessidade de ser encantada constantemente.

Não sei onde quero chegar. Mas sei os caminhos que quero percorrer e sei quem quero levar comigo. E o que. Preciso do carinho, da música, de beijo, de abraço, de doce, de ser surpreendida. Necessito de aventura, de intensidade, de amor, de paixão, de poesia…

Quero tudo que é quente, tudo que é gelado. O leve e o pesado. Correr e ficar parado. O oito e o oitenta, sem passar pelo meio termo. O carinho e a cólera. A sensibilidade de um olhar e a química de um toque. Viver para quem merece e morrer de amor.

Gritar até que ecoe do outro lado do mundo e ficar em silêncio, olhando para ti, para mim, pensando em nós e só… Quero mil amores a primeira vista e um milhão de finais felizes. É vital enlouquecer de amor. Apaixonar-se, e muito, só para poder encontrar a sua cura em um outro alguém.

É preciso se perder só para ter o gostinho de orientar-se a partir da presença alheia. A verdade é que não se vive sem paixão, sem doação, sem alma… Fazer valer a pena é entregar-se em cada esquina ao destino.

“E o fim, é belo incerto. Depende de como você vê…

A fé que você deposita em você e SÓ…”

Se arrependimento matasse, viveria pra fazer diferente

Quem nunca se deparou com algum questionamento que remetesse ao assunto arrependimento? Estava pensando nisso hoje. É claro que por muitas vezes deveria ter agido diferente, porém tem aquilo “durma arrependido, mas não na vontade”.

Se existe alguma coisa que me dói ao tratar de tal assunto, é o tempo em que fui medíocre. Ou melhor, esse não é um bom adjetivo. Pseudo-intelectual se encaixa melhor. Quem sabe até metida a besta sem moral alguma.

Já me peguei mais de uma vez pensando. “Bá, eu poderia ter escutado musicas melhores na minha época de adolescente”, ou então “nossa, o que eu estava fazendo que não li determinados clássicos”. Eu acatava o que o meio que eu vivia me dizia. As posições gerais. E argumentava minha posição baseada em discursos prontos e já utilizados.

Minha adolescência foi inerte e alienada ao modismo. Eu achava que tinha lido demais, porém obras primas da literatura não passaram por mim. Pensava que música era algo momentâneo para te descrever e usava de bandas da época para isso. Esquecia que música é mais que som: é arte.

Hoje corro atrás do prejuízo cultural que cavei na minha vida. Procuro ler não só os clássicos, mas também os novos. Tento ver dois lados para saber (e poder) criticar. Busco informação e estou aprendendo a selecionar as que me servem ou não. Aprendi que pra falar de música é preciso, entre outras coisas, saber que rock não é emo e também o que significou a tropicália.

Me arrependo da época em que pensei que história era uma disciplina escolar que contava apenas coisas interessantes. Hoje consigo ver sentido em toda contextualização dada nas aulas o que me serve de luz ao fim do túnel.

Ainda estou longe de uma perfeição (como qualquer um), mas hoje pelo menos sei que modismo não é o mais importante. Sei que ter estilo não é seguir aos outros, mas sim ter suas próprias convicções e baseado nisso construir a bagagem da tua vida.

Aprendi que caráter não está só relacionado com a forma a qual se vive, mas com a maneira que aproveitamos as coisas indiferentemente da escala de tamanho. Por fim fico feliz em concluir que é preciso renovar certos valores, sem, no entanto alterar princípios. E é isso que consola o meu arrependimento.

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