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Arquivo da Categoria: caos(?)

The new BBB

Juro que as vezes sinto medo da forma com a qual insistimos em nos expormos na internet. Tudo começou de forma lenta. Íamos para chats conhecer pessoas. Mas ali, era possivel inventar um outro ser que não nós. Então teoricamente não estávamos em evidência.

Logo após isso vieram os blogs. Mas não eram assim como conhecemos hoje. Os blogs de antigamente eram legítimos diários. Eu mesmo tive um. Cansei de ver gente que postava inclusive o número do celular novo. A evolução trouxe a era fotologs. Não era dizer o que se fazia mas sim registrar isso através de imagens.

Estava apenas começando. Nesse rítmo veio o orkut. Disfarçado na pergunta “Who do you know?” (quem você conhece) esse site traça um perfil da pessoa. Através de palavras, imagens, vídeos (sim, é a inovação total) e comunidades (que na maioria das vezes são descritivas também).

Como se não bastasse tudo isso, agora vem o twitter querendo saber “What are you doing?”. Não é crítica. Eu mesma tenho orkut, twitter, msn, flickr, blog e todas essas coisas. É reflexão mesmo. Lutamos por tanto tempo por liberdade e agora nos expomos a ponto de sermos presos novamente. Vivemos em busca de privacidade para depois jogar tudo na rede para quem quiser ver.

Quando olho os índices de audiência do BBB vejo que na verdade não gostamos da privacidade. Gostamos da exposição. Querer ser reservado é disfarce da maioria. Grande parte quer mesmo é chamar àtenção.

Mesmo que seja de nosso consenso expor nossa vida, ainda assim fico apreensiva. Será que n´so que tanto tememos a prisão acabaremos tornando o  ”Big Brother” de Orwell real?

Daqui a pouco saberam onde tu moras… Opa! Esqueci do Google Earth. Então, é, amm, falta eles saberem mais o que mesmo?

Síndrome do Pinóquio

Fui uma criança extremamente mentirosa. Matava parente pra justificar falta em prova, ficava doente para não ter que ir pra aula. E fazia isso na maior naturalidade. Com o tempo, minha percepção de mundo e de princípios em relação a isso foi mudando.

Senti na pele o que é ser desmascarada. Tinha 11 anos, falei uma bobagenzinha qualquer e duas amigas me colocaram na berlinda. Foi o pior dia da minha vida. Fiquei roxa de vergonha e tive que respirar fundo e soltar: “é, eu tava mentindo”.

Jurei para mim mesma que nunca mais passaria por aquele desconforto. Demorou até que eu removesse todos os resíduos que eu possuía. Tive que assumir outros tantos erros, mas esses, foram de forma mais sutil.

Aprendi que mentira tem perna curta e que papai do céu castiga quem mente tarde. Mas ao menos aprendi direitinho.

Tudo, menos covardes

“Eu não vou chorar. Apenas acabarei com essa agonia que levo comigo nos últimos dias” – foi o que eu pensei enquanto o elevador se deslocava para o primeiro andar do prédio. Respirei fundo, mas, mais uma vez perdi o fôlego quando vi ele sentado ali. A decisão estava tomada. E eu sentia, que pelo tom de voz dele um pouco mais cedo que era um consenso.

Só pra variar o sol havia se escondido. Em todo o tempo em que estivemos juntos, sempre foi assim. Disse para ele para sairmos do meu local de trabalho. Fomos ao parque.

Sentamos e conversamos. Em um tom pacífico diferente dos últimos dias. Eu sabia desde a primeira vez que o vi que nele habitava a aura mais bonita que eu já conheci. Uma das únicas capaz de filtrar qualquer ambiente. Aquele sentimento era importante demais para ser perder meio a brigas, divergências e discussões. Ele também pensava assim.

Nos acertamos. Deixamos os planos todos de lado e decidimos trilhar rumos diferentes. Podem nos acusar de tudo, menos de covardes, porque nós tentamos. Não era pra ser. Talvez fosse a pessoa e não a hora. Ou talvez não.

Seguimos andando pelo caminho que tantas vezes já percorremos. Não combinava não estar de mãos dadas, por isso segurei meu livro e ele o celular. Era desconcertante se perder entre as palavras e deixar escapar um chamado de amor.

Estávamos inegavelmente mais leves, mas isso de nada escondia que cada qual tinha mais medo de perder o outro. Infelizmente para se ganhar lembranças felizes é preciso perder outras coisas.

Só depois de entrar no ônibus que eu percebi que ele não ia ir comigo. E só então eu percebi o preço que pagamos para sermos livres. Foi tão escuro chegar ao trem sozinha. Sentei no último vagão, liguei o mp4 que ele me deu e que eu me esqueci de devolver. E foi então que as músicas começaram a tocar e me tocar. Não deu pra segurar as lágrimas que caiam mudas e lentas até molhar o meu vestido amarelo.

Amarelo como a estrela do norte que hoje parou de brilhar porque não tem mais seu anjo mais velho pra lhe orientar.

Podem nos acusar de tudo, menos de covardes. Nós não só tentamos como tivemos coragem de admitir que não deu certo. Porém, não é porque se está certo de uma decisão que ela não vá deixar de doer.

Extremos

Meu final de semana foi feito de extremos.  Embora eu confesse que precisava de uma maneira absurda dormir, pensei que seria tedioso de tão calmo. É desgastante ter que vir cedo para Porto Alegre todo o dia de manhã encarando trem lotado, ônibus lotado, calor. Mas enfim, não é isso que vem ao caso, não hoje.

 

Cheguei no trabalho ao meio-dia como sempre e percebi logo que seria uma tarde calma. Jornalistas fazem o jornal. Mas não é sempre que encontram tempo para lê-lo. Quando acontece, pode se preparar para um dia que não passará. O tempo se arrasta quando nada se tem para fazer.

 

Aqui estava eu, nesse mesmo computador espantando o tédio fazendo qualquer coisa quando começou o burburinho. Quando se trabalha no departamento municipal de água e esgoto e um cano estoura e interdita uma avenida importante é mais do que motivo para ficar alerta.

 

Como estagiária acabei sozinha aqui para o atendimento da imprensa. Momento de tensão. E eu, sem a mínima noção do que viria. Faltava apenas uma hora para o expediente da sexta-feira acabar quando minha mãe me liga avisando que minha bisavó faleceu.

 

Ela tinha 97 anos. Chega uma hora em que Deus chama. Não tem jeito. O que me atordoou foi o meu avô, filho dela, que já não é nenhum moço e que é cardíaco.

 

É nessas horas tu vê quem tu tem do teu lado. É nessas horas que tu aprende que nem todo mundo ta do teu lado. E principalmente, nessa hora tu percebe que nem tudo é pra sempre, até mesmo o que parece eterno. E que muitas vezes é preciso perder para aprendermos a valorizar.

 

Me toquei de Porto Alegre para Caxias com uma mísera escala em São Leopoldo para vestir uma blusa preta. Revi parente, conheci parente, fiquei cansada psicologicamente. Velório é uma crueldade. Tu fica mais de 24h remoendo uma coisa que já dói por si só.

 

Depois desse momento escuro foi a vez de extravasar. Fui com uma grande amiga à formatura de uma outra grande amiga nossa. Mesmo um dia sem dormir, eu precisava tanto dançar, tanto voar, tanto rir, que nem via hora passar. Fiquei leve, só senti o sono perto das 5 da manhã, mas daí já era hora de voltar.

 

Foi ao acordar que percebi que vi uma vida terminar e uma de certa forma começar. Percebi também que eu não tenho nem uma coisa nem outra. Que estou no meio de um caminho que pode acabar a qualquer hora. E enquanto isso não acontece, o que eu venho fazendo por mim? Se eu morresse amanhã, será que teria sido feliz hoje? Estou refletindo nisso até agora.

 

 

Carta de um animal


Ontem fazia um calor insuportável na capital gaúcha. Eu precisava urgentemente de um refrigerante gelado. (estou bem mais coordenada desde a saga do cartão). Foi então que passando por um pet shop vi um texto que me chamou MUITA atenção. Lembrei da Pérola (minha cadelinha que está a ilustrar esse post) e agradeci por ter encontrado-a.

FUI CRIADO PELO MESMO DEUS QUE CRIOU VOCÊ

Sinto frio, fome, sede, medo, dor, assim como você.
Por favor, não me use para se divertir, não me exponha ao ridículo, não me humilhe, não me maltrate e nem abuse de mim.
Só o que quero é sua amizade e carinho.
Não peço que goste de mim, mas somente que me respeite.
Olhe nos meus olhos e depois olhe nos seus e verá como somos parecidos.
No meu olhar você pode ver doçura, alegria, tristeza, desespero, amor ou sofrimento, e isso também posso ver no seu olhar!
Por capricho do nosso criador, não posso falar e nem me defender da brutalidade e crueldade dos seus semelhantes, mas se eu pudesse falar agora, diria a todos que eu também mereço viver e sou digno de respeito, assim como vocês…
Com carinho,
Um animal.

Pra esquecer…

Não adianta. Não me conforta o fato de ter visto o Grêmio perdendo pro Cruzeiro. Brinco e tudo mais mas torço para o SPORT CLUB INTERNACIONAL e ponto. Tudo que não é a vitória de tal não faz parte do meu lado futibolístico.

Claro, que isso inclui aquele alívio quando pelo menos o rival perde. Agora, daí a torcer pra outro time. NÃO, desculpem os vários colorados que vestiram MUITAS camisas ao longo do campeonato brasileiro. A ÚNICA CAMISA QUE EU VISTO É A ALVI-RUBRA. Não é pq eles tomaram uma goleada que eu vou esquecer de nós.

A rodada do campeonato brasileiro foi de esquecer. Perder em casa pra um time rebaixado. Aliás, é o que o time com o atual melhor plantel vem fazendo de fama: MOLA EM FUNDO DE POÇO.

Quer respirar na tabela? Joga conosco.

Aliás nisso eu vou me obrigar a concordar com meu gremista preferido (que costuma me atender por namorado):


Prefiro perde fora de casa pra um time bem colocado. Que empate com um quase reibaxado no meu estádio.

Futebol é essa caixa de surpresa…Na maioria das vezes não dá pra entender. Em outras tantas dá raiva. Mas a paixão de um torcedor de verdade não acaba nunca.

INTER PRA SEMPRE VOU TE AMAR!

Eles não apareceram!

Quando eu era criança lembro que teve um boato de que o mundo acabaria em um determinado dia de agosto. Era uma profecia de Nostradamus. Lembro que pessoas não foram para a escola com medo do tumulto que isso poderia causar. Resistimos. Ufa!

Depois o tão famoso dia da besta: 06/06/06. Ouvi muitos dizerem que o anticristo viria em tal data. Mais uma vez nada.

Hoje enfim era o dia da invasão que salvaria a Terra. Ta certo que as bolsas tiveram uma injeção de ânimo. Ta certo que o Guiñazu poderá voltar antes ao Inter. Mas, e os ET’s em sua nave visível onde estão? Hemisfério Sul ou Norte? Onde poderei instalar minha câmera fotográfica?

Eu, aqui, cheia de amor pros Etzinhos (assim como pediu a Fraternidade da Luz), e eles me dão o bolo? Pelo visto fui mais uma vez enganada pelo sensacionalismo. Vou pegar meu banquinho e esperar 2012 chegar junto com a próxima profecia de fim do mundo. Só me resta a esperança de que nós não acabemos com o mundo antes disso.

Pausa

Em uma época em que tudo passa voando por entre nossos dedos é difícil manter o equilíbrio. É a prova que tu tem amanhã, o livro que deveria ser lido ontem, as horas de sono que se perderam. O compromisso que foi adiado, o passeio que foi feito as pressas. Os lugares que não conseguiu ir, os filmes que não conseguiu ver.

E é assim que acabamos nos tornando os sumidos. Os amigos começam a perguntar o que tu ta fazendo da vida. Os conhecidos começam a dizer “nossa quanto tempo”. Mas na verdade nem tu entende a falta que as pessoas sentem de ti. E ao pensar a respeito percebe que tu mesma te faz falta.

E chega a hora de colocar as idéias, os compromissos e as coisas no lugar. Organizar-se. E só depois voltar.

Fora do ar, e agora?

Cheguei cansada, a gripe tomou conta de mim. Precisava urgentemente de uma cama. Um bom banho, um bom café…opa, meu dia não estaria completo se eu não fosse dar uma olhadinha no Orkut. Sabe como é, vai que tenha algum recado super importante.

Qual não é a minha surpresa quando percebi que o site estava fora do ar. Ah, tudo bem, pensei, daqui a pouco ele volta. Vou olhar meus e-mails. Conectei o MSN, liguei o media player na coletânea do Jorge Ben e fui ver o que tinha de bom na caixa postal.

Mensagens respondidas, agora vamos ao Orkut. Já se passou mais de meia hora, certamente ele estará lá. Não estava. Bom, eu tenho alguns textos da revista que editoro para fazer, vou dar um tempo por aqui, concluí.

Uma coisa preciso confessar. Se trabalha muito melhor quando não se tem Orkut.

E quando terminar de trabalhar na LABORGUY, o que farei? Ah, vou escrever a coluna Ferro Velho, to mesmo devendo o material de sexta-feira.

Rendi tanto no meu trabalho que esqueci por um bom tempo o real motivo pelo qual havia ligado o computador. Após escrever bastante quis dar uma voltinha pelas notícias. Geralmente eu abro todos os sites que estão linkados aqui e vou lendo.

Foi então que veio a grande bomba. A saída do Orkut do ar era capa no site do G1. Custei a acreditar que de fato estava lendo aquilo. Foi então que me dei conta do porque que eu havia ido parar na frente do computador. E daí senti o peso da alienação. Deprimente…Mas já era tarde e eu decidi ir dormir. Gripe maldita.

Acordei hoje e pensei que esse texto “revoltado” pela alienação seria a primeira coisa que faria. Não foi. Não antes de ver a minha “sorte de hoje”. E ele estava lá, de volta onde jamais deveria ter saído. O G1 inclusive noticiou sua volta, mas eu já estava dormindo. Gripe maldita.

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