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Arquivos Mensais: Abril 2009

Caro Sport Clube Internacional,

Te chamarei de Colorado, pois faço parte do teu povo e por isso não há porque fazermos cerimônias um com o outro. Não sei desde quando sou colorada. Acho que nasci com isso, e fui desenvolvendo com o tempo. E que tempos que me fizeste passar hein? Até hoje confesso que não entendo de onde tirei forças. Creio que deva isso a meu pai, o colorado que entrou em uma selva de gremistas e tirou minha mãe de lá direto para o altar.

Ah, o meu pai. Ele sim teve uma infância e adolescência feliz. Três campeonatos Brasileiros em menos de dez anos, uma seleção brasileira olímpica representada por ti. Ele viu Falcão, Carpegiani, Figueroa. Te viu andar firme em meio à glorias até começar os tropeços. O arquirrival conquistando o mundo. Não foi fácil. Quando nasci já estavas um pouco apagado. Mas que nasce para brilhar, nunca se ofusca. E tu é o clube do povo.

Acho que meu inconsciente sempre teve essa noção. De que tu já nasceste grandioso e que isso nenhuma fase mudaria. E assim fui crescendo. Confesso que não foi fácil. Quantas camisetas azuis me ofereceram para que eu desistisse de só ver meu time ganhar gauchão.

Lembro como se fosse ontem do dia em que me fizeram parar de brincar na escola para assistir Grêmio e Ajax. Como eu odiei aquele time. Hoje sei que a existência dele é importante; Te faz engrandecer.

Mais de uma vez vinha triste para casa. E meu pai entrava em cena. Me contava todas as façanhas. Descrevia de forma nostálgica o teu passado alvirrubro. Ficava pensando se um dia eu veria tudo aquilo.

Acho que de tanto a minha geração idealizar sobre o futuro, o universo conspirou e virou a mesa. Quando dei por mim, não estava só completamente apaixonada por ti, mas estava também vendo também os tricolores, aqueles que sempre levantavam taças e jogavam coisas grandiosas, caírem para a segunda divisão. Esse desgosto o meu timão, a minha academia do povo nunca me deu.

E aquele universo que enfim havia ouvido as minhas preces e certamente de outros tantos* trouxe Fernando Carvalho. Aquele que tinha o mesmo sonho que eu: ver meu time chegando em um carro de bombeiros.

Não era o único Fernando. Depois de um tempo chegou o nosso capitão. O eterno. E já chegou marcando gol mil. Onde? Em grenal.

Acontece que precisamos sofrer para valorizar não é mesmo? E a nossa recompensa veio em 2006, após um ano roubado. O mundo era nosso! Igualzinho o arquirrival tinha feito muitos anos antes. Com um diferencial. Eu tinha visto. Minha geração de gremistas não viram.

É estranho descrever o que é ser colorada. Só sei dizer que é glorioso. Minha emoção em ver teu centenário e do tamanho da grandiosidade que tu tens. Me sinto honrada de ter teu brasão em meu peito. E mais do que isso: me sinto plena em ser recompensada com um centenário tão bonito.
Hoje olho para trás e vejo o quão difícil foi ser uma criança vestida de vermelho e branco. Mas quer saber? Ao participar dos festejos desse 4 de abril de 2009 sinto que cada minuto valeu a pena.

*Homenagem aos meus amigos colorados que partilharam da mesma geração e assim como eu nunca desistiram desse sonho vermelho e branco

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